{"id":13479,"date":"2024-11-24T17:03:05","date_gmt":"2024-11-24T20:03:05","guid":{"rendered":"https:\/\/caminhodasaguas.org.br\/maya\/?post_type=docs&#038;p=13479"},"modified":"2024-11-24T17:21:39","modified_gmt":"2024-11-24T20:21:39","password":"","slug":"discurso-de-mujica-na-onu-2013","status":"publish","type":"docs","link":"https:\/\/caminhodasaguas.org.br\/maya\/docs\/discurso-de-mujica-na-onu-2013\/","title":{"rendered":"Discurso de Mujica na ONU, 2013"},"content":{"rendered":"\n<p>Discurso proferido por Pepe Mujica, na 68\u00aa Assembleia Geral da ONU, em 24 de setembro de 2013.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed aligncenter is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\" style=\"margin-top:0;margin-right:0;margin-bottom:0;margin-left:0\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Jos\u00e9 Mujica, presidente de Uruguay, habla en la ONU. Discurso completo.\" width=\"1290\" height=\"726\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-E6d_kZ-QPY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>Amigos todos, sou do sul, venho do sul. Esquina do Atl\u00e2ntico e do Prata, meu pa\u00eds \u00e9 uma pequena plan\u00edcie suave, temperada, uma hist\u00f3ria de portos, couros, charque, l\u00e3s e carne. Teve d\u00e9cadas p\u00farpuras, de lan\u00e7as e cavalos, at\u00e9 que por fim, no come\u00e7o do s\u00e9culo XX, se transformou em vanguarda no social, no Estado, na educa\u00e7\u00e3o. Diria que a social democracia foi inventada no Uruguai.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante quase 50 anos o mundo nos viu como uma esp\u00e9cie de Su\u00ed\u00e7a. Na verdade, na economia fomos bastardos do imp\u00e9rio brit\u00e2nico e quando este sucumbiu vivemos o mel amargo de termos comerciais funestos, e ficamos estagnados, saudosos do passado quase 50 anos, recordando o Maracan\u00e3, nossa fa\u00e7anha esportiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje ressurgimos neste mundo globalizado talvez aprendendo de nossa pr\u00f3pria dor. Minha historia pessoal, a de um rapaz \u2013 porque uma vez fui um rapaz \u2013 que como outros quis mudar sua \u00e9poca, seu mundo, o sonho de uma sociedade libert\u00e1ria e sem classes. Meus erros em parte s\u00e3o filhos de meu tempo, obviamente os assumo, mas h\u00e1 vezes que medito com nostalgia.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem dera ter a for\u00e7a de quando \u00e9ramos capazes de abrigar tanta utopia! Sem embargo n\u00e3o olho para tr\u00e1s porque o hoje real nasceu das cinzas f\u00e9rteis do ontem. Pelo contr\u00e1rio, n\u00e3o vivo para cobrar contas ou reverberar mem\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Me causa ang\u00fastia, e de que maneira, o futuro que n\u00e3o verei, e por ele que me comprometo. Sim, \u00e9 poss\u00edvel um mundo com uma humanidade melhor, mas talvez hoje a primeira tarefa seja cuidar da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas sou do sul e venho do sul, a esta Assembleia, em d\u00edvida inequivocamente com milh\u00f5es de compatriotas pobres, nas cidades, nos bairros, nas selvas, nas pampas da Am\u00e9rica Latina, p\u00e1tria comum que se est\u00e1 construindo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em d\u00edvida com as culturas originais esmagadas, com os restos do colonialismo nas Malvinas, com bloqueios in\u00fateis a esse lagarto sob o sol do Caribe que se chama Cuba. Em d\u00edvida com as consequ\u00eancias da vigil\u00e2ncia eletr\u00f4nica que n\u00e3o faz outra coisa que n\u00e3o seja semear desconfian\u00e7a. Desconfian\u00e7a que nos envenena inutilmente. Cargo com uma gigantesca d\u00edvida social, com a necessidade de defender a Amazonia, os mares, nossos grandes rios da Am\u00e9rica.<\/p>\n\n\n\n<p>Em d\u00edvida com o dever de lutar por p\u00e1tria para todos. Para que Col\u00f4mbia possa encontrar o caminho da paz, e reconhe\u00e7o o dever de lutar por toler\u00e2ncia, a toler\u00e2ncia que se precisa com aqueles que s\u00e3o diferentes, e com os que temos diferen\u00e7as e descordamos. N\u00e3o se precisa da toler\u00e2ncia para aqueles com quem estamos de acordo. A toler\u00e2ncia \u00e9 o fundamento de poder conviver em paz, e entendendo que no mundo somos diferentes. <\/p>\n\n\n\n<p>O combate a economia suja, ao narcotr\u00e1fico, \u00e0 fraude e a corrup\u00e7\u00e3o, pragas contempor\u00e2neas embarcadas por este antivalor, esse que sust\u00e9m que somos felizes se nos enriquecemos seja como for. <\/p>\n\n\n\n<p>Sacrificamos os velhos deuses imateriais. Ocupamos o templo deles com o deus mercado, que nos organiza a economia, a pol\u00edtica, os h\u00e1bitos, a vida e at\u00e9 nos financia em parcelas e cart\u00f5es, a apar\u00eancia de felicidade. Parece que nascemos s\u00f3 para consumir e consumir, e quando n\u00e3o podemos, sofremos com a frustra\u00e7\u00e3o, a pobreza e at\u00e9 a autoexclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O certo hoje \u00e9 que para gastar e enterrar os detritos, nisso que a ci\u00eancia chama \u201cpegada de carbono\u201d, se aspir\u00e1ssemos nessa humanidade consumir a m\u00e9dia consumida por um americano padr\u00e3o, seriam necess\u00e1rios tr\u00eas planetas para podermos viver.<\/p>\n\n\n\n<p>Quer dizer, nossa civiliza\u00e7\u00e3o montou um desafio mentiroso e assim como vamos, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel para todos manter esse sentido de desperd\u00edcio que se deu \u00e0 vida. Na verdade, \u00e9 cada vez mais difundido como uma cultura de nosso tempo, sempre dirigida pela acumula\u00e7\u00e3o e pelo mercado.<\/p>\n\n\n\n<p>Prometemos uma vida de extravag\u00e2ncia e desperd\u00edcio, e no fundo ela se constitui em uma contagem regressiva contra a natureza, contra a humanidade como futuro. Civiliza\u00e7\u00e3o contra a simplicidade, contra a sobriedade, contra todos os ciclos naturais.<\/p>\n\n\n\n<p>Pior: civiliza\u00e7\u00e3o contra a liberdade que sup\u00f5e ter tempo para viver as rela\u00e7\u00f5es humanas, o \u00fanico transcendente, o amor, a amizade, aventura, solidariedade, fam\u00edlia. Civiliza\u00e7\u00e3o contra tempo livre n\u00e3o paga, que n\u00e3o se compra, e que nos permite contemplar e esquadrinhar o cen\u00e1rio da natureza.<\/p>\n\n\n\n<p>Arrasamos a selva, as selvas verdadeiras, e implantamos selvas an\u00f4nimas de cimento. Enfrentamos o sedentarismo com caminhadores, \u00e0 ins\u00f4nia com comprimidos, \u00e0 solid\u00e3o com equipamentos eletr\u00f4nicos, porque somos felizes alijados do ambiente humano.<\/p>\n\n\n\n<p>Cabe fazer esta pergunta, fugimos de nossa biologia que defende a vida por si pr\u00f3pria, como causa superior, e a suplantamos pelo consumismo em fun\u00e7\u00e3o da acumula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A pol\u00edtica, eterna m\u00e3e do acontecer humano, ficou limitada \u00e0 economia e ao mercado, de pulo em pulo a pol\u00edtica n\u00e3o pode mais do que se perpetuar, e como tal delegou o poder e se entret\u00e9m, aturdida, lutando pelo governo. Malfadada marcha da hist\u00f3ria humana, comprando e vendendo tudo, e inovando para poder negociar de algum modo, o que \u00e9 inegoci\u00e1vel. H\u00e1 marketing para tudo, para os cemit\u00e9rios, os servi\u00e7os f\u00fanebres, as maternidades, para pais, para m\u00e3es, passando pelas secretarias, os carros e \u00e0s f\u00e9rias. Tudo, tudo \u00e9 neg\u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto as campanhas de marketing caem deliberadamente sobre as crian\u00e7as, e sua psicologia para influir sobre os mais velhos e ter no futuro um territ\u00f3rio assegurado. Sobram provas destas tecnologias bastante abomin\u00e1veis que as vezes, conduzem \u00e0s frustra\u00e7\u00f5es e muito mais.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u201chomenzinho m\u00e9dio\u201d de nossas grandes cidades,vagando entre as financeiras e o t\u00e9dio rotineiro dos escrit\u00f3rios, as vezes temperados com ar condicionado. Sempre sonha com as f\u00e9rias e a liberdade, sempre sonha em terminar de pagar as contas, at\u00e9 que um dia, o cora\u00e7\u00e3o para, e adeus. Haver\u00e1 outro soldado cobrindo as garras do mercado, assegurando a acumula\u00e7\u00e3o. A crise se faz impot\u00eancia, a impot\u00eancia da pol\u00edtica, incapaz de compreender que a humanidade n\u00e3o foge, nem fugir\u00e1 do sentimento de na\u00e7\u00e3o. Sentimento que quase est\u00e1 encrustado em nosso c\u00f3digo gen\u00e9tico.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, \u00e9 tempo de come\u00e7ar a esculpir um mundo sem fronteiras. A economia globalizada n\u00e3o tem mais condu\u00e7\u00e3o do que o interesse privado, de muitos poucos, e cada estado nacional olha sua estabilidade continuista, e hoje a grande tarefa para nossos povos, em minha humilde maneira de ver, \u00e9 o todo.<\/p>\n\n\n\n<p>Como se isso fosse pouco, o capitalismo produtivo, francamente produtivo, est\u00e1 meio prisioneiro na caixa dos grandes bancos. No fundo s\u00e3o o auge do poder mundial. Mais claro, acreditamos que o mundo demanda a gritos regras globais que respeitem as conquistas da ci\u00eancia, que abundam. Mas n\u00e3o \u00e9 a ci\u00eancia que governa o mundo. S\u00e3o necess\u00e1rias, por exemplo, uma grande agenda de defini\u00e7\u00f5es, quantas horas de trabalho e toda a Terra, como converter as moedas, como financiar a luta global por \u00e1gua e contra os desertos.<\/p>\n\n\n\n<p>Como se recicla e se pressiona contra o aquecimento global? Quais s\u00e3o os limites de cada grande esfor\u00e7o da humanidade? Seria imperioso conseguir consenso planet\u00e1rio para desencadear solidariedade aos mais oprimidos, castigar impositivamente o desperd\u00edcio e a especula\u00e7\u00e3o. Mobilizar as grandes economias, n\u00e3o para criar descart\u00e1veis, com obsolesc\u00eancia programada, mas sim com bens \u00fateis, sem fidelidade, para ajudar a levantar aos pobres do mundo. Bens \u00fateis contra a pobreza mundial. Mil vezes mais rent\u00e1vel que fazer guerras. Derrubar um neo-keynesianismo \u00fatil de escala planet\u00e1ria para abolir as vergonhas mais flagrantes que existem nesse mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez nosso mundo necessite de menos organismos mundiais, esses que organizam os foros e confer\u00eancias, que servem muito \u00e0s cadeias hoteleiras e \u00e0s companhias a\u00e9reas, no melhor dos casos, mas que ningu\u00e9m recolhe nada e transforma em decis\u00f5es\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Necessitamos sim mascar muito o velho e eterno da vida humana junto \u00e0 ci\u00eancia, essa ci\u00eancia que se empenha pela humanidade n\u00e3o para se tornar rica; com eles, com homens de ci\u00eancia, primeiros conselheiros da humanidade, estabelecer acordos pelo mundo inteiro. Nem os grandes Estados nacionais, nem as transnacionais e muito menos o sistema financeiro deveria governar o mundo humano. Mas sim a alta pol\u00edtica entrela\u00e7ada com a sabedoria cient\u00edfica, a\u00ed est\u00e1 a fonte. Essa ci\u00eancia que n\u00e3o se importa com o lucro, mas que olha para o futuro e nos diz coisas que n\u00e3o atendemos. Quantos anos faz que nos disseram determinadas coisas que n\u00e3o nos demos por inteirados? Creio que temos que convocar a intelig\u00eancia ao comando da nave acima da terra, coisas desse estilo e outras que n\u00e3o pude desenvolver nos parecem imprescind\u00edveis, mas requereriam que o determinante fosse a vida, n\u00e3o a acumula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Obviamente, n\u00e3o somos t\u00e3o iludidos, estas coisas n\u00e3o ir\u00e3o ocorrer, nem outras parecidas. Resta-nos muitos sacrif\u00edcios in\u00fateis por diante, muito remendar consequ\u00eancias e n\u00e3o enfrentar as causas. Hoje o mundo \u00e9 incapaz de criar uma regula\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o e isto se d\u00e1 pelo enfraquecimento da alta pol\u00edtica, isso que se ocupa do todo. Por \u00faltimo vamos assistir ao ref\u00fagio dos acordos mais ou menos \u201creclam\u00e1veis\u201d, que v\u00e3o reclamar um mentiroso livre com\u00e9rcio interno, mas que no fundo v\u00e3o terminar construindo parapeitos protecionistas, supranacionais em algumas regi\u00f5es do planeta. Por sua vez, v\u00e3o crescer ramos industriais importantes e servi\u00e7os, todos dedicados a salvar e melhorar o meio ambiente. Assim vamos nos consolar por um tempo, vamos estar entretidos e naturalmente tudo vai continuar como est\u00e1 para manter a rica a acumula\u00e7\u00e3o, para regojizo do sistema financeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Continuaram as guerras e portanto os fanatismos at\u00e9 que talvez a mesma natureza chame a ordem e fa\u00e7a invi\u00e1vel nossas civiliza\u00e7\u00f5es. Talvez nossa vis\u00e3o seja demasiado crua, impiedosa e vemos o homem como uma criatura \u00fanica, a \u00fanica que h\u00e1 sobre a terra capaz de ir contra sua pr\u00f3pria esp\u00e9cie. Volto a repetir, porque alguns chamam a crise ecol\u00f3gica do planeta, \u00e9 consequ\u00eancia do triunfo avassalador da ambi\u00e7\u00e3o humana. Esse \u00e9 nosso triunfo, tamb\u00e9m nossa derrota, porque temos impot\u00eancia pol\u00edtica de enquadrarmos em uma nova \u00e9poca. E contribu\u00edmos a construir nos damos conta.<\/p>\n\n\n\n<p>Por qu\u00ea digo isso? S\u00e3o dados nada mais. O certo \u00e9 que a popula\u00e7\u00e3o se quadruplicou e o PIB cresceu pelo menos vinte vezes no \u00faltimo s\u00e9culo. Desde 1990 aproximadamente a cada seis anos se duplica o com\u00e9rcio mundial. Poder\u00edamos seguir anotando os dados que estabelecem a marcha da globaliza\u00e7\u00e3o. O que est\u00e1 ocorrendo conosco? Entramos em outra \u00e9poca aceleradamente mas com pol\u00edticos, atavios culturais, partidos, e jovens, todos velhos diante da pavorosa acumula\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as que nem sequer pudemos registrar. N\u00e3o podemos manejar a globaliza\u00e7\u00e3o, porque nosso pensamento n\u00e3o \u00e9 global. N\u00e3o sabemos se \u00e9 uma&nbsp;limitante cultural ou estamos chegando aos limites biol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nossa \u00e9poca \u00e9 portentosamente revolucion\u00e1ria como n\u00e3o conheceu a hist\u00f3ria da humanidade. Mas n\u00e3o tem condu\u00e7\u00e3o consciente, ou menos, condu\u00e7\u00e3o simplesmente instintiva. Muito menos, todavia, condu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica organizada porque nem sequer temos tido filosofia precursora ante a velocidade das mudan\u00e7as que se acumularam.<\/p>\n\n\n\n<p>A gan\u00e2ncia, t\u00e3o negativa e t\u00e3o motor da hist\u00f3ria, isso que empurrou o progresso material t\u00e9cnico e cient\u00edfico, que fez aquilo que \u00e9 nossa \u00e9poca e nosso tempo e um fenomenal avan\u00e7o em muitas frentes, paradoxalmente, essa mesma ferramenta, a gan\u00e2ncia &nbsp;que nos empurrou a domesticar a ci\u00eancia e transform\u00e1-la em tecnologia nos precipita a um abismo brumoso. A uma hist\u00f3ria que n\u00e3o conhecemos, a uma \u00e9poca sem hist\u00f3ria e estamos ficando sem olhos nem intelig\u00eancia coletiva para seguir colonizando e perpetuarmos transformando-nos.<\/p>\n\n\n\n<p>Porque se uma caracter\u00edstica tem este bichinho humano, \u00e9 que \u00e9 um conquistador antropol\u00f3gico. Parece que as coisas tomam autonomia e as coisas submetem aos homens. Por um lado ou outro, sobram ativos para vislumbrar essas coisas e em todo caso, vislumbrar o rumo. Mas nos \u00e9 imposs\u00edvel coletivizar decis\u00f5es globais por esse todo. Mais claro, a gan\u00e2ncia individual triunfou grandemente sobre a gan\u00e2ncia superior da esp\u00e9cie. Esclarecemos: o que \u00e9 o todo? O que \u00e9 essa palavra que utilizamos?<\/p>\n\n\n\n<p>Para n\u00f3s \u00e9 a vida global do sistema terra incluindo a vida humana com todos os equil\u00edbrios fr\u00e1geis que fazem poss\u00edvel que nos perpetuemos. Por outro lado, mais f\u00e1cil, menos opin\u00e1vel e mais evidente. Em nosso ocidente, particularmente, porque daqui viemos ainda que venhamos do sul, as rep\u00fablicas que nasceram para afirmar que os homens somos iguais, que ningu\u00e9m \u00e9 mais do que ningu\u00e9m, que seus governos deveriam representar o bem comum, a justi\u00e7a e a equidade. Muitas vezes, as rep\u00fablicas se deformam e caem em esquecimento da gente corrente, a que anda pelas ruas, o povo comum.<\/p>\n\n\n\n<p>As rep\u00fablicas n\u00e3o foram criadas para vegetar em cima da <em>grey<\/em>, mas sim o contr\u00e1rio, s\u00e3o um grito na hist\u00f3ria para fazer funcionais \u00e0 vida dos pr\u00f3prios povos e, portanto, as rep\u00fablicas se devem \u00e0s maiorias e a lutar pela promo\u00e7\u00e3o das maiorias.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo que for, por reminiscencias feudais que est\u00e3o a\u00ed em nossa cultura; pelo classismo dominador, talvez pela cultura consumista que nos rodeia a todos, as rep\u00fablicas frequentemente em suas dire\u00e7\u00f5es adotam um viver cotidiano que exclui, que coloca dist\u00e2ncia com o homem da rua.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, esse homem da rua deveria ser a causa central da luta pol\u00edtica na vida das rep\u00fablicas. Os governos republicanos deveriam se parecer cada vez mais a seus respectivos povos na forma de viver e na forma de se comprometer com a vida.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato \u00e9 que cultivamos arca\u00edsmos feudais, cortesanismos consentidos, fazemos diferencia\u00e7\u00f5es hier\u00e1rquicas que no fundo minam o melhor que existe nas rep\u00fablicas: que ningu\u00e9m \u00e9 mais do que ningu\u00e9m. O jogo destes e outros fatores nos ret\u00e9m na pr\u00e9-hist\u00f3ria. E hoje \u00e9 imposs\u00edvel renunciar a guerra quando a pol\u00edtica fracassa. Assim se estrangula a economia, desperdi\u00e7amos recursos.<\/p>\n\n\n\n<p>Escutem bem, queridos amigos: em cada minuto do mundo se gastam dois milh\u00f5es de d\u00f3lares com or\u00e7amento militar nesta terra. Dois milh\u00f5es de d\u00f3lares por minuto com or\u00e7amento militar!! Em pesquisa m\u00e9dica, de todas as doen\u00e7as que avan\u00e7aram grandemente e \u00e9 uma ben\u00e7\u00e3o para a promessa de viver alguns anos mais, essa pesquisa apenas cobre a quinta parte da pesquisa militar.<\/p>\n\n\n\n<p>Este processo do qual n\u00e3o podemos sair, \u00e9 cego. Assegura \u00f3dio e fanatismo, desconfian\u00e7a, fonte de novas guerras e isto tamb\u00e9m, desperd\u00edcio de fortunas. Eu sei que \u00e9 muito f\u00e1cil, poeticamente, autocriticarmos, pessoalmente. E creio que seria uma inoc\u00eancia nesse mundo desejar que ali existam recursos para economizar e gastar em outras coisas \u00fateis. Isso seria poss\u00edvel, outra vez, se fossemos capazes de exercitar acordos mundiais e preven\u00e7\u00f5es mundiais de pol\u00edticas planet\u00e1rias que nos garantissem a paz e que deem, aos mais fracos, garantias que n\u00e3o temos. A\u00ed haveria enormes recursos para recortar e atender as maiores vergonhas sobre a Terra. Mas basta uma pergunta: nesta humanidade, hoje, aonde se iria sem a exist\u00eancia dessas garantias planet\u00e1rias? Ent\u00e3o cada pa\u00eds faz acordos de armas conforme sua magnitude e a\u00ed estamos porque n\u00e3o podemos pensar como esp\u00e9cie, mas apenas como indiv\u00edduos.<\/p>\n\n\n\n<p>As institui\u00e7\u00f5es mundiais, particularmente hoje vegetam \u00e0 sombra consentida das dissid\u00eancias das grandes na\u00e7\u00f5es que, obviamente, querem reter sua cota de poder.<\/p>\n\n\n\n<p>Bloqueiam a essa ONU que foi criada com uma esperan\u00e7a e como um sonho de paz para a humanidade. Mas pior ainda, a desassociaram da democracia no sentido planet\u00e1rio porque n\u00e3o somos iguais. N\u00e3o podemos ser iguais em um mundo onde existem mais fortes e mais fracos. Por tanto esta \u00e9 uma democracia planet\u00e1ria ferida que est\u00e1 &nbsp;cerceando a hist\u00f3ria de um poss\u00edvel acordo de paz mundial, militante, combativo e que verdadeiramente exista. E ent\u00e3o, curamos doen\u00e7as l\u00e1 onde elas eclodem e se apresentam segundo parecem a algumas das grandes potencias. Os demais olhamos de longe. N\u00e3o existimos.<\/p>\n\n\n\n<p>Amigos, eu creio que \u00e9 muito dif\u00edcil inventar uma for\u00e7a pior que o nacionalismo chauvinista das grandes potencias. A for\u00e7a que \u00e9 liberadora dos fracos. O nacionalismo, pai dos processos de descoloniza\u00e7\u00e3o, que \u00e9 formid\u00e1vel para os fracos, se transforma em uma ferramenta opressora nas m\u00e3os dos fortes e que, nos \u00faltimos 200 anos, tivemos exemplos por todas as partes.<\/p>\n\n\n\n<p>A ONU, nossa ONU definha, se burocratiza por falta de poder e de autonomia, de reconhecimento e sobretudo de democracia em dire\u00e7\u00e3o aos mais fracos que constituem a maioria absoluta do planeta. Dou um pequeno exemplo, pequenino. Nosso pequeno pa\u00eds tem em termos absolutos, a maior quantidade de soldados em miss\u00f5es de paz dos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina espalhados pelo mundo. E l\u00e1 estamos, onde nos pedem que estejamos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas somos pequenos, fracos. Onde se repartem os recursos e se tomam as decis\u00f5es, n\u00e3o entramos nem para servir o caf\u00e9. No mais profundo de nosso cora\u00e7\u00e3o, existe um enorme anseio de ajudar para que o homem saia da pr\u00e9-hist\u00f3ria. Eu defino que o homem enquanto viva em clima de guerra, est\u00e1 na pr\u00e9-hist\u00f3ria, apesar dos muitos artefatos que possa construir.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 que o homem n\u00e3o saia desta pr\u00e9-hist\u00f3ria e arquive a guerra como recurso quando a pol\u00edtica fracassa, essa \u00e9 a longa marcha e o desafio que temos por diante. E o dizemos com conhecimento de causa. Conhecemos as tristezas da guerra. No entanto, esses sonhos, esses desafios que est\u00e3o no horizonte implica lutar por uma agenda de acordos mundiais que comecem a governar nossa hist\u00f3ria e superar passo a passo, as amea\u00e7as \u00e0 vida. A esp\u00e9cie como tal, deveria existir um governo para a humanidade que supere o individualismo e lute por recriar cabe\u00e7as pol\u00edticas que trilhe o caminho da ci\u00eancia e n\u00e3o apenas aos interesses imediatos que n\u00e3o est\u00e3o governando e afogando.<\/p>\n\n\n\n<p>Paralelamente temos que entender que os indigentes do mundo n\u00e3o s\u00e3o da \u00c1frica ou da Am\u00e9rica Latina, s\u00e3o de toda a humanidade e esta deve como tal, globalizada, tender a empenhar-se em seu desenvolvimento, para que possam viver com dec\u00eancia por conta pr\u00f3pria. Os recursos necess\u00e1rios existem, est\u00e3o nesse desperd\u00edcio depredador de nossa civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 poucos dias fizeram ali, na Calif\u00f3rnia, em um corpo de bombeiros, uma homenagem a uma l\u00e2mpada el\u00e9trica que h\u00e1 100 anos est\u00e1 ligada. Cem anos que est\u00e1 ligada, amigo! Quantos milh\u00f5es de d\u00f3lares nos tiraram do bolso fazendo deliberadamente porcarias para que as pessoas comprem, comprem e comprem.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas esta globaliza\u00e7\u00e3o de olhar para todo o planeta e por toda a vida significa uma mudan\u00e7a cultural brutal. \u00c9 o que nos est\u00e1 requerendo a hist\u00f3ria. Toda a base material mudou e oscilou, e os homens, com nossa cultura, permanecemos como se n\u00e3o houvesse ocorrido nada e em lugar de governar a civiliza\u00e7\u00e3o, esta \u00e9 que nos governa. H\u00e1 mais de 20 anos que discut\u00edamos a humilde taxa Tobi. Imposs\u00edvel aplic\u00e1-la ao n\u00edvel do planeta. Todos os bancos do poder financeiro se levantam feridos em sua propriedade privada e que sei l\u00e1 eu quantas coisas mais. No entanto, isso \u00e9 o paradoxal. No entanto, com talento, com trabalho coletivo, com ci\u00eancia, o homem passo a passo \u00e9 capaz de transformar em verde aos desertos.<\/p>\n\n\n\n<p>O homem pode levar a agricultura ao mar. O homem pode criar vegetais que vivam com \u00e1gua salgada. A for\u00e7a da humanidade se concentra no essencial. \u00c9 incomensur\u00e1vel. Ali est\u00e3o as mais portentosas fontes de energia. Que sabemos da fotoss\u00edntese? Quase nada. A energia no mundo sobra se trabalharmos para us\u00e1-la com ela. \u00c9 poss\u00edvel extirpar toda a indig\u00eancia do planeta. \u00c9 poss\u00edvel criar estabilidade e ser\u00e1 poss\u00edvel \u00e0s gera\u00e7\u00f5es futuras, se lograrmos come\u00e7ar a pensar como esp\u00e9cie e n\u00e3o s\u00f3 como indiv\u00edduo, levar a vida \u00e0 galaxia e seguir com esse sonho conquistador que n\u00f3s, seres humanos, levamos em nossos genes.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas para que todos esses sonhos sejam poss\u00edveis, necessitamos governarmos a n\u00f3s mesmos ou sucumbiremos porque n\u00e3o somos capazes de estar a altura da civiliza\u00e7\u00e3o que fomos desenvolvendo.<\/p>\n\n\n\n<p>Este \u00e9 nosso dilema. N\u00e3o nos entretenhamos apenas remendando consequ\u00eancias. Pensemos nas causas de fundo, na civiliza\u00e7\u00e3o do desperd\u00edcio, na civiliza\u00e7\u00e3o do use-descarte que o que est\u00e1 descartando \u00e9 tempo da vida humana mal gasto, derrotando quest\u00f5es in\u00fateis. Pensem que a vida humana \u00e9 um milagre. Que estamos vivos por milagre e nada vale mais do que a vida. E que nosso dever biol\u00f3gico acima de todas as coisas \u00e9 respeitar a vida e impulsion\u00e1-la, cuidar dela, procri\u00e1-la e entender que a esp\u00e9cie \u00e9 a nossa gente.<\/p>\n\n\n\n<p>Obrigado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fonte:<\/strong> <a href=\"https:\/\/umhistoriador.wordpress.com\/2013\/09\/25\/mujica-o-presidente-que-acredita-ser-possivel-uma-humanidade-melhor\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">https:\/\/umhistoriador.wordpress.com\/2013\/09\/25\/mujica-o-presidente-que-acredita-ser-possivel-uma-humanidade-melhor\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Discurso proferido por Pepe Mujica, na 68\u00aa Assembleia Geral da ONU, em 24 de setembro de 2013. Amigos todos, sou do sul, venho do sul. Esquina do Atl\u00e2ntico e do Prata, meu pa\u00eds \u00e9 uma pequena plan\u00edcie suave, temperada, uma hist\u00f3ria de portos, couros, charque, l\u00e3s e carne. 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